A Rapariga que Roubava Livros

A Rapariga que Roubava LivrosPor que é que este livro permaneceu 40 semanas no top dos mais vendidos do New York Times? Foi para satisfazer a curiosidade que me aventurei nas páginas de um livro cujo título nunca me cativou.

The Book Thief, título original do livro escrito por Markus Zusak, conta a estória de uma menina chamada Liesel durante o período da Segunda Grande Guerra, na alemanha nazi. “Heil, Hitler”, cruzes suásticas, abrigos anti-aéreos, judeus perseguidos, medo e fome são presença constante ao longo de 462 páginas.

Foi no dia do funeral do irmão que Liesel roubou o seu primeiro livro, Manual do Coveiro. Separada da mãe e junto da sua família de acolhimento, a rapariga cresce com o acordeão do “papá” e os “saumensch”/”saukerl” da nova mãe, os jogos de futebol na rua, o amigo Rudy, os livros roubados, o judeu escondido na cave…

O livro marca mais pelos factos que descreve acerca dos horrores da guerra do que pela estória dos livros roubados, o que vai contra o que sugere o título: “Era o melhor sítio, tinham eles decidido. É mais difícil encontrar um judeu no escuro. Sentado na sua mala, à espera. Há quantos dias já? Comera apenas o gosto amargo do seu próprio bafo faminto durante o que lhe pareciam semanas, e ainda nada.”(p.122)

Outro ponto forte é o facto de a narradora omnisciente ser a própria Morte (faz lembrar As Intermitências da Morte, de Saramago, mas numa versão menos elaborada): “Um humano não tem o coração como o meu. O coração humano é uma linha, ao passo que o meu é um círculo, e eu possuo a interminável capacidade de estar no sítio certo na altura certa (…) Ainda ssim, eles têm uma coisa que eu invejo. Os humanos, quanto mais não seja, têm o bom senso de morrer” (p.413).

Na verdade, o livro pode até ser marcante, como diz o Washington Post, mas não chega a tornar-se um clássico.

Andreia Pinto

4 Comentários

  1. Lia disse,

    Julho 3, 2008 às 6:17 pm

    ola!!!!! eu ainda estou a lê-lo porque os exames me têm ocupado bastante tempo. Mas do pouco que li,posso dizer que estava a espera de mais. Não sei como será lá mais para a frente, mas espero que não me desiluda mais. No inicio não compreendia porque se classificava na literatura juvenil, mas logo comecei a perceber. Enfim.. Vamos lá ver como vai ser ;)

  2. Andreia Pinto disse,

    Julho 3, 2008 às 10:26 pm

    Para além de tudo o que disse acima, devo acrescentar que há coisas no livro que me parecem “metidas a martelo”. Falo da Morte enquanto narradora, porque, de facto, parece-me que é usada apenas como adereço ou para cativar os leitores e não tem outro papel. Falo também do facto de Liesel roubar livros apenas por roubar (como o primeiro, em que nem sabia ler ainda). Enfim, há muitas coisas que deviam ter sido trabalhadas de forma mais cautelosa por Zusak… Mesmo o final não é nada especial…
    Sei que não estou a incentivar a leitura deste livro, mas já agora, Lia, quando terminares de o ler, partilha a tua opinião! :) afinal de contas podemos ter ideias diferentes!

  3. Lia disse,

    Julho 3, 2008 às 10:49 pm

    concordo plenamente! e a partir de amanha vou retomar a leitura dele! e depois ponho aqui!

  4. Lia disse,

    Julho 18, 2008 às 7:28 pm

    hello hello!! tal como te disse, vim ate aqui para comentar. Já o li há alguns dias, mas so hoje é que deu para vir ate aqui. Bom, é assim: eu gostei da historia embora nao passe de um retrato comummente abordado da tragedia da 2ªgrande guerra. Como ja te tinha dito antes, achei o livro um pouco juvenil. Nao gostei tambem da forma como o livro foi escrito. Por vezes confundia-me (ou entao sou eu que sou um pouco lerda). A historia em si esta bonita porque a rapariga é um doce e ver o sofrimento que ela e o rudy passam todos os dias toca-nos fundo e é incapaz de nos deixar indiferente. Tal como a ‘morte’ disse algures pelo meio, ela nao gosta de suspense e por isso nao o iria guardar e assim, no final do livro nao conseguimos ficar de boca aberta com o seu desfecho pois foi tudo contado gradualmente. Nao gostei que o Rudy tivesse morrido (gostava mesmo dele, era querido ;) ), porem, se tivesse sobrevivido o livro nao teria o impacto que teve pois tornar-se-ia um mero romence e um final QUASE do genero ‘e viveram felizes para sempre’ .

    Resumindo e concluindo: só comecei a ter interesse mais ou menos a meio e se a historia fosse narrada de maneira diferente, nao mexendo na sua integridade, acho que iria ser um livro fabuloso e na MINHA opinião estaria perto de se tornar um clássico e de entrar para a lista dos meus favoritos..

    (ufa. foi grande o post.. desculpa la a seca ;) )


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