Está a chover desalmadamente na minha janela, no meu telhado, neste abrigo quente e sedoso.
Está mesmo a chover, não é metáfora nem eufemismo. São gotas de água furiosas que batem nos vidros com tanta impetuosidade que parece que se vai hoje apocalipsar o mundo.
Ver a tempestade a partir do meu ninho dá-me muita satisfação. É como se este tecto fosse eterno e imune a todas as desventuras que há lá fora. Aqui, neste refúgio, não há crianças a morrer de fome, nem glaciares em degelo, nem assassinos gratuitos, nem o preço do petróleo a subir.
Há apenas gotas de água furiosas que batem nos vidros com tanta impetuosidade que parece que se vai hoje apocalipsar o mundo.
Xiu. Oiçam apenas. Plic, plic, plic…
A chuva não cessa, mas tudo continua igual lá fora.
Pouso o Eclipse e o sofá vai ficando para trás à medida que me aproximo da janela. Agora só a água a escorrer e eu a lavar as minhas memórias.
AP
Mariana disse,
Março 17, 2008 às 10:05 pm
Gosto de chuva. E gosto de andar à chuva. Não sei se lava as memórias, mas faz-me sentir feliz e confortável.
(E se chovesse mais, quem sabe o Edward não poderia viver cá)
Andreia Pinto disse,
Março 17, 2008 às 10:32 pm
A chuva serve para muita coisa. Às vezes, ela purifica, lava as memórias. Outras, é um refúgio ou apenas uma ponte de evasão.
Mas é claro que se chovesse mais, poderíamos ter cá o Edward e a nossa querida Bella… E eventualmente o Jake para completar a estória.